Périplo
Périplo é viagem. A minha é infinita... Sempre começando a mesma minha incursão em mim. E começá-la!
voyeur
domingo, 25 de janeiro de 2026
São Paulo 472
São Paulo, danação da minha vida!
é da delícia de suas contradições límbicas
que se renasce e se morre
e renasce-se.
da mistura de línguas, ergue-se babel absoluta,
e todos se afinam no venoso corpo seu
nas linhas do metrô
no colorido do seu cinza mais que cinza.
no estranhamento disforme dos seus órgãos
reconhecemo-nos ontem
hoje
desconhecemo-nos também.
seus pecados são todos
nossas dores
todas
brotam dos arranha-céus
sombrando-se sobre antigos casarões
onde não mora ninguém
e tantos sem ter onde morar
ou comer.
limbo amorfo
seu silêncio ecoa
ruídos
gritos mudos
que recolho e acalento
num oco doido
doído
paulistano coração.
é da delícia de suas contradições límbicas
que se renasce e se morre
e renasce-se.
da mistura de línguas, ergue-se babel absoluta,
e todos se afinam no venoso corpo seu
nas linhas do metrô
no colorido do seu cinza mais que cinza.
no estranhamento disforme dos seus órgãos
reconhecemo-nos ontem
hoje
desconhecemo-nos também.
seus pecados são todos
nossas dores
todas
brotam dos arranha-céus
sombrando-se sobre antigos casarões
onde não mora ninguém
e tantos sem ter onde morar
ou comer.
limbo amorfo
seu silêncio ecoa
ruídos
gritos mudos
que recolho e acalento
num oco doido
doído
paulistano coração.
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
Peristilo

Gosto do silêncio que antecede as datas comemorativas.
As últimas horas da tarde que antecede o natal, as primeiras horas da última noite do ano: a cidade tão ocupada que emudece.
Eu fico ouvindo esse silêncio pleno de potência. Forte, denso, apertado.
Por um átimo de segundo prendo a respiração
O silênci O
quase me sufoca com sua prenhez.
Os sons voltam devagar...e eu respiro... baixinho...
quarta-feira, 6 de março de 2024
50tei
Fui buscar a história no tempo e, desde os primeiros minutos deste ano, o tempo tem marcado minha história...
com precisão cirúrgica.
Eu sigo.
Porque aprendi a me remendar, conviver com as cicatrizes, torná-las parte e não por à parte. Aprendi que não tem respostas, só perguntas (é Rosa, maiores perguntas!).
Sigo pq é preciso seguir, assim como navegar...
Parar, voltar, titubear, tudo desnorteia, então sigo.
Às vezes como uma pluma, outras como um trator.
Dou risada porque é precisa, gargalhada porque é a minha medida e choro porque amo.
Hoje sei um pouco sobre cura e sobre loucura, sobre juízo e um pouco mais sobre riso. Hoje... amanhã talvez não saiba mais nada e comece a aprender tudo outra vez, ou tudo de novo, o que vier.
Absorvo, amalgamo, transformo: sou antropofágica.
Então, Tempo, pode vir, porque eu também tô te buscando, te estudando, perscrutando.
Pode vir! "Encontrará a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar".
quarta-feira, 24 de julho de 2019
Medeias
A voz da mulher é pontiaguda.
Se fala, fere
Se cala, fere-
se
Xenos
- esse não lugar que ocupamos -
mudez imposta
grito interrompido
sobra NÃO
sossobramos
só sobramos
ocas
restamos
cadência nesse nome que se evoca em sussurro
(agudo, dilacerante, premente):
Medeia
eu
Medeia
tu
Medeia
ela
Medeia
nós
Medeia
Se fala, fere
Se cala, fere-
se
Xenos
- esse não lugar que ocupamos -
mudez imposta
grito interrompido
sobra NÃO
sossobramos
só sobramos
ocas
restamos
cadência nesse nome que se evoca em sussurro
(agudo, dilacerante, premente):
Medeia
eu
Medeia
tu
Medeia
ela
Medeia
nós
Medeia
quinta-feira, 3 de maio de 2018
terça-feira, 10 de outubro de 2017
meninices
nos meus muitos brinquedos
de menina
capturei eternidades
instantâneas
do quintal
das mangueiras
de peixinhos no riacho
que me demoram envelhecer
fui,
nas diversas janas que fui,
feliz.
corrivoeicaípuleijoguei
e mais sorri
tatuei brincar na alma
e ela ficou travessa.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Do que é feita minha poesia
muitas ganas de Hilda
rasgam
nos barros
meus
de manueis vários.
cortam
me
campos augustos,
haroldos,
muita vez
pessoo-me tanto
em tantas
andradinas
pessoas,
outras.
pluralizo
rosáceas dores,
clariceanos amores.
quem sou
que não me sou?
em vários mins
todos
hão
de ter sido.
domingo, 13 de setembro de 2015
Poetisa
Sou poeta.
Não! Não sou!
Minhas irmãs de outras épocas diziam-se poetas.
Tinham de assumir um falo.
Eu?! Eu, se sou poeta, não sou.
"Não sou nada, nunca serei nada,
Não posso querer ser nada"
A poetisa não fragiliza minha poesia,
desentranhada do útero,
regada no meu sexo,
eviscerada num gozo,
nos ciclos da lua.
Poesia mulher:
febre flébil,
salgada marca delicada,
que se não ecoa
como Pessoa,
tatua a carne,
suave.
Escreve,
inscreve-se
líquida,
no vento.
Não! Não sou!
Minhas irmãs de outras épocas diziam-se poetas.
Tinham de assumir um falo.
Eu?! Eu, se sou poeta, não sou.
"Não sou nada, nunca serei nada,
Não posso querer ser nada"
A poetisa não fragiliza minha poesia,
desentranhada do útero,
regada no meu sexo,
eviscerada num gozo,
nos ciclos da lua.
Poesia mulher:
febre flébil,
salgada marca delicada,
que se não ecoa
como Pessoa,
tatua a carne,
suave.
Escreve,
inscreve-se
líquida,
no vento.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
sábado, 11 de abril de 2015
Artes do amar
(ilustração: Otávio Mendes)
I
Melodia:
som que tiras
do meu corpo
com a boca.
Instrumento de sopro,
Deliro
Melodia:
som que tiras
do meu corpo
com a boca.
Instrumento de sopro,
Deliro
II
No meu sexo
semeias raízes,
teus dedos
desenham sonhos
ainda por ser
III
No meu sexo
semeias raízes,
teus dedos
desenham sonhos
ainda por ser
III
Com a boca
Consigo-te
tirar
notas sonoras
do mais harmonioso
silêncio
Consigo-te
tirar
notas sonoras
do mais harmonioso
silêncio
domingo, 1 de fevereiro de 2015
espera
tempo menino
mimado
brinca com as graças
das horas
e esquece
de mim
e os ocos
do meu de dentro
espera
gracejo do tempo
pra levar
o que não tem fimquinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Ar Dor
Umidificar inocências
em
mim,
escorrer-me
por dedos
sábios
(entre) ágeis
quentes cantares,
jocosas jactâncias
frêmito
ardido
É febre o que sinto.
em
mim,
escorrer-me
por dedos
sábios
(entre) ágeis
quentes cantares,
jocosas jactâncias
frêmito
ardido
É febre o que sinto.
gravura de Milo Manara
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
domingo, 16 de março de 2014
Boneca de menina
Chegava da escola e ia logo
perguntando “cadê a Flora, mãe?”. Minha neta ainda presa num corpo minúsculo de
plástico e borracha, em forma de bebê. – “Você já deu um beijo nela hoje?
Trocou a fralda? Mãe, a Flora quer ir com você pro seu trabalho. Ela quer
passear! Vamos papar, Flora. Você tem que comer tudo pra crescer!”.
Machadianamente penso que a
menina é mãe da mulher.
Linda, de cá pra lá, boneca nos
braços. Conversa maternalmente “coisas”, chama-lhe atenção, ensina. Revira tudo
pra fazer roupinhas, enrola a boneca em mil panos - “Mãe, a gente precisa
comprar mais fralda pra Flora, a dela acabou.”- Nem tenho tempo de lembrar que
boneca não suja fralda, lá eu vou deixar minha netinha suja?! - “mãe, a Flora,
no dia das crianças, quer um maiô!” - E eu, vó absoluta antes dos 40,
papariquei minha neta de mentirinha, revivi infâncias com ternura, pra ouvir menina dizer, de
repente, “eu te amo, filha”. ----- Eu também! As duas!!
Um dia encontro a Flora só, no
sofá. Acreditando que 'alguém' me ouvia: “ô minha fofinha, tá sozinha? Vem aqui
com a vovó!” – beijo, aperto... ela nem apareceu, nem estava perto.
Ri de mim e pra mim e fui
entrando no quarto dela semi cerrado. Espiei. Empunhava arma mortífera: um
batom. Meu cachecol enrolado no corpo, feito vestido, e os sapatos, enormes,
nos pés...eram meus. Ela queria outros panos.
Esqueceu a filha Flora, que
voltou a ser boneca. Esqueceu da mentirinha, das roupinhas, do maternal amor.
Flora permaneceu linda em sua eterna e plastificada meninice. A 'boneca' nova se via, agora, no espelho.
Minha Bia crescia e esquecia Flora filha. Esquecia que fora filha. Era agora menina mulher, de batom e sutiã. Quer um namorado, tem tédio e TPM e fica horas no quarto ... sem dar a graça de seu ar.
Terminou a mentirinha e nem me perguntou se eu queria parar de brincar.
Flora permaneceu linda em sua eterna e plastificada meninice. A 'boneca' nova se via, agora, no espelho.
Minha Bia crescia e esquecia Flora filha. Esquecia que fora filha. Era agora menina mulher, de batom e sutiã. Quer um namorado, tem tédio e TPM e fica horas no quarto ... sem dar a graça de seu ar.
Terminou a mentirinha e nem me perguntou se eu queria parar de brincar.
sábado, 9 de novembro de 2013
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
sábado, 14 de setembro de 2013
Leda e O cisne
tonitruante bater de asas
espreita
Leda lendo
ao largo do lago.
sinuoso cisne
in - sinua - se
in - si
nua - se
em si satisfeito
de si,
de Leda,
plena,
lânguida,
leda
espreita
Leda lendo
ao largo do lago.
sinuoso cisne
in - sinua - se
in - si
nua - se
em si satisfeito
de si,
de Leda,
plena,
lânguida,
leda
domingo, 21 de julho de 2013
Femina
me pinto pra guerra
sangue suado
pulsante colado
veia-corpo
corpo a corpo
mano a mano
boca a
olhos
pele
gosto.
na guerra
me dispo
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