voyeur

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

insone



alta madrugada.
cessam sons.
sibilam, distantes, grilos, talvez
só, o nada fala
tudo cala
tudo dorme...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Silentes

Nasceu tarde, em pequeno banheiro num quarto barato de hotel.
Sem gemido.
Segurava suada a pia do banheiro, acocorada.
No aguaceiro que desentranhava,
muda,
escorria a cria.
Cortou cordão, enrolou em cueiro, deu de mamar.
Dormiram.
Amanhecido, pagou pernoite e saiu da cidade...
longe das sibilantes línguas dos olhos alheios.
Isso sabia do nascimento.
Cresceu no silêncio da mãe, em meio imagens do não dito
e aprendeu dizer o bastável,
pra só ser.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

viverso

o verso que não sai
no meu dentro
ondula
enjoa
torna-se eu
toma-me seu
desmede-se
despede-se
fica.
não sai,
não nasce,
e é.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

poeta





com os dedos
                                            o arrepio
                                            da língua molhada
                                            nos lábios
arranco
                                            os dentes
                                            mordendo
o divino
                                            das coxas
                                            apertando
de mim.

espelho

perder-se de si
é possível
perder-se de si

Dói

as nesgas de esperanças
despedaçam depois,
despedaçam em nós
na garganta
estômago
olhos.
depois espedaçam-me
nós.

segunda-feira, 26 de março de 2012

barulhinho bom


chuva chiando
fora
cócegas dentro
vontade de rir
de mim

o rir
em mim
arrepia
de rir
de mim

chiado cosquento
de chuva
molha
de alegria

Tempestas


noite solitária luz tremeluzente velas carros rumorosos águas cão incansável
late tonitruante céu aclara meia escuridão lume fraco escurece meia solidão.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012







não sei nomear
pássaro
não conheço gorjear.
da minha janela
na madrugada
se assobia o sabiá
bentevia o bem-te-vi
anú, corrupia, jacú,
galinha d´água,
alma-de-gato,
joão-de-barro,
na janela
da minha madrugada
não é gorjeio...
só canto
de passarinho.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


o que há entre a
flor
e a
pólis
é o mistério
que convida
é o todo
que me chama
no escuro
que me olha
é
o que não sei
há entre a
flor
e a
pólis.

formiga ao vento


o dia todo
o todo dia
andar arrastado
lentamente mudar
passos.
recuar sem querer
querer sem querer
avançar
pouco
cansar, forçar
a força, à força
o todo do dia
seguir
o dia todo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012